Risco de liquidez: o dinheiro que existe mas não está disponível
O risco de liquidez é frequentemente confundido com risco de perda. São conceitos distintos. O risco de liquidez descreve a possibilidade de não conseguir aceder ao seu capital no momento em que precisa dele, mesmo que o valor desse capital se mantenha intacto no papel. Produtos com prazos longos de imobilização ou condições de saída antecipada penalizadoras expõem o investidor a este risco de forma significativa. Antes de comprometer qualquer montante, o investidor deve perguntar: «Em que condições posso recuperar este capital antes do prazo previsto?» A resposta deve estar documentada no contrato.
Risco de concentração: excesso de exposição a uma única variável
A concentração de risco ocorre quando uma parte excessiva do capital está exposta à mesma variável — seja um sector, uma moeda, uma contraparte ou um instrumento específico. O investidor individual frequentemente não reconhece que está concentrado porque os instrumentos que detém têm nomes diferentes mas são sensíveis às mesmas condições de mercado. Uma análise de correlação entre os activos do portefólio é um instrumento simples mas eficaz para identificar concentrações não intencionais. Este tipo de análise deve fazer parte de qualquer revisão periódica de estratégia.
Risco de contraparte: quando quem deve pagar não consegue pagar
O risco de contraparte é a probabilidade de a outra parte de um contrato financeiro não cumprir as suas obrigações quando chegar o momento. Este risco existe em qualquer contrato e não desaparece com a reputação da instituição envolvida — aparece exactamente nos momentos em que a reputação da instituição já não é suficiente para cobrir os seus compromissos. Avaliar a solidez financeira de cada contraparte antes de firmar um contrato não é pessimismo — é diligência elementar que qualquer analista financeiro recomendaria.
Risco de informação: decisões tomadas com dados incompletos
O risco de informação é talvez o mais insidioso dos quatro porque não resulta de má intenção de nenhuma das partes — resulta da assimetria estrutural entre quem presta um serviço financeiro e quem o contrata. O prestador do serviço conhece os detalhes do produto; o cliente conhece apenas o que lhe foi apresentado. Reduzir esta assimetria exige que o cliente leia e questione toda a documentação contratual, solicite clarificação de qualquer cláusula que não compreenda e, se necessário, recorra a um consultor externo para validar a análise.